3õ :a concha em seu ouvido trazendo o barulho do mar: 3õ

3õ Este espaço foi criado com o intuito de mostrar tudo aquilo que se passa na cabeça de alguém. E esse alguém pode ser tu. Um espaço com pensamentos, frases, sentimentos e tudo aquilo que tá presente na vida de cada um de nós. A busca incessante do equilíbrio. Um espaço onde podemos anteceder suspiros e adiantar desesperos. Ou não. 3õ
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:: Sexta-feira, Agosto 12, 2005 ::

Aproveita o sol e tenha um ótimo final de semana!!!



e quem sabe alguém te ensine a surfar...

:: 5:02 PM ::

escreve algumas linhas aê: _____________________________________________________________________________________
A certeza de um quase ou de um talvez...


... o 'quase' estar-realmente-perto...


O texto a seguir é um diálogo escutado às quatro e pouco da manhã em um bar qualquer...

"Mas Carlos, tu já pensou que talvez seja mais cômodo as coisas permanecerem assim como estão? Não, porque eu não quero que permaneçam assim Paula! É muito cômodo, é mais prático e talvez até mais natural que vocês fiquem nessa lenga-lenga. Tu sabendo que ela tá ali ou lá, e ela sabendo que tu tá aqui ou ali ou lá. Talvez esse 'quase' é que realmente alimente vocês. É como se tu esticasse a mão pra pegar alguma coisa e não conseguisse. E aqui a gente percebe realmente esse 'quase' que estamos falando. O 'quase' conseguir, o 'quase' encontrar', o quase 'conquistar', o 'quase' estar-realmente-perto. Entende o quero te dizer Carlos? Claro, mas pra mim isso não basta. E não vejo dessa maneira. Em alguns momentos sim, mas não me serve ficar nessa. É que eu fico impossibilitado de dar um passo adiante, porque isso pode estragar tudo. E isso é a última coisa que eu quero. Pô, eu já tive a chance de pegar esse 'quase' com as mãos, amassar ele como uma folha de papel e jogá-lo pra fora pela janela do carro. Mas não posso, não tem como... E se tu fizer? Qual o problema? O problema é que posso pôr tudo a perder. Porra, tô nessa há uns dois anos, mais, sei lá... é que a situação é realmente complicada. Envolve outras coisas. Eu sei do que tu tá falando Carlos, mas tu mesmo sabe que o difícil é sempre melhor, mais instigante. E que, se ficar fácil, tu pode não querer mais. Não penso nisso Paula. É uma parada mais forte que rola, às vezes não sei nem explicar. E não são essas teorias que vão mudar as coisas, porque o que acontece é fato, é concreto, é sentimento, é real aquilo que eu sinto e aquilo que ela sente. Eu só espero que não seja tarde demais... Nunca é tarde Carlos. Eu que o diga, eu que o diga. Tá, vou pagar a conta e 'vambora'. Tá. Pega um 'chiclé' pra mim. Tá."


:: 3:51 PM ::

escreve algumas linhas aê: _____________________________________________________________________________________
Texto "roubado" do blog da Ju

Nós, os poucos felizes

Nós, seres humanos que vivemos em casas ou apartamentos, e não em acampamentos nem nos viadutos, nem nas favelas ou nos hospícios, nós que vivemos em residências, (...) nós que sabemos cantar em prosa e verso, que podemos andar, sorrir, comer, temos a indústria e comércio, e conta nos bancos, nós que somos brancos, universitários, que nunca fomos à guerra nem despejamos mísseis, nós que podemos ver o mar, (...) o céu belíssimo, as nuvens pretas, as estrelas, a amplidão do mundo, que temos médicos e anestesia, hospital e poesia, que podemos viajar olhar vitrines e comprar, nós, ai de nós, que sabemos ler e lemos livros, temos fogões em nossas casas, temos camas, temos sexo e desejo, temos o beijo, nós que ouvimos música no rádio ou em discos, que temos filhos com todos os dentes, escola, agasalho e nem vivemos em Cuba, nós que não somos curdos nem turcos, nem etíopes nem angolanos, (...) que choramos no cinema, que temos alma e lágrimas, mil caras, uma só, dedos sensíveis e crenças, amores secretos, jornalistas altruístas, padres guerrilheiros, músicos ardentes, escritores, sindicalistas, líderes sem-terra à vista, violeiros repentistas, loucura, alvará de soltura, (...) que temos carro ou sapato sem furo, temos o passado e o futuro, nós que assinamos revistas e jornais, (...) nós que jantamos a luz de velas, tomamos vinho e meio embriagados lemos poemas para os passarinhos (...), ou para o ser que amamos, e amamos vários, nós que somos amados, que vamos à praia (...), que vestimos roupas e usamos um antigo anel de família que ainda não foi roubado, e que talvez nunca seja, que tomamos cerveja, que temos a confissão e o perdão, que acordamos tarde e não andamos de trem, que temos salário ou renda fixa, emprego, família, paixão, (...) temos amigos, temos trabalho, fazemos exercícios, somos hedonistas, artistas, poucos, nós que (...) temos sonhos, que adoramos ouvir histórias contadas por qualquer estranho, que dançamos alegres com crianças, que gostamos de lareira e frio, sorvete e calor, o limpo e o macio, (...) que não somos da ralé nem da choldra, nem da rafaméia nem do lúpen nem da miséria, (...) ai de nós, somos os poucos felizes.

Ana Miranda
Caros Amigos, abril de 1999

:: 3:20 PM ::

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:: Quarta-feira, Agosto 10, 2005 ::

Porque aquele dia parece que alguma coisa tinha mudado. Ele mesmo dissera que a partir de então as coisas entre eles estariam mudadas de certa forma. As atitudes não seriam as mesmas e os pensamentos também não seriam os mesmos. Ele chegara até a pensar em não procurá-la mais. Para deixar que as coisas esfriassem, para deixar para trás aquilo que mexia com ele por demais. As situações presenciadas e vividas até aquele momento eram tão reais que se tornavam difíceis de se concretizar na realidade. Mas ele sabia, e sempre soube, que isso seriam palavras ditas e escritas da boca pra fora. Porque estariam sempre presentes independentemente do momento e da hora.

Era algo que importava e muito, mesmo a situação não sendo propícia. E os dias passam, as noites vem e o sol se põe a cada-dia-nascente-poente-na-beira-do-rio-perto-do-parque. E mesmo assim, quando coloca os braços atrás da cabeça por cima do travesseiro e olha pra penumbra-do-teto-escuro do quarto iluminado apenas pela vela acesa e pela fumaça do incenso, ele sente ela por perto. E parece que surgem momentos em que essa presença se torna mais forte. Mais presente. Porque, mesmo ela estando longe, ele sabe que ela tá por perto. Só que longe...

:: 7:35 PM ::

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:: Terça-feira, Agosto 09, 2005 ::

"eu digo não chore meu amor / que a lua brilhou no escuro do céu / que o som acalanta seu corpo cansado / e o sonho da gente não morre jamais / na guerra ou na paz / aqui resta uma esperança sem fim / aqui resta um guerreiro de paz / uma lágrima quente numa noite fria / o sonho da liberdade / não chore meu amor / é tanta água no teu olho / estrelas e luas / mar, pescadores e iemanjás"

trecho da música "não chore meu amor" da banda natiruts - participação especial de Lirinha, do Cordel do Fogo Encantado

:: 3:20 PM ::

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:: Segunda-feira, Agosto 08, 2005 ::

Morre o cantor cubano Ibrahim Ferrer




Ibrahim Ferrer, o cantor do Buena Vista Social Club, grupo que o levou de engraxate a celebridade musical mundial no final de sua vida, morreu no sábado em Havana, aos 78 anos.

Cantor da tradicional música cubana "son", cuja voz já foi comparada à de Nat King Cole, Ibrahim Ferrer nasceu num baile de um clube social em Santiago, Cuba, em 20 de fevereiro de 1927, quando sua mãe entrou em trabalho de parto inesperadamente. Ele começou a cantar profissionalmente aos 14 anos.

Na década de 1950, ele já era um cantor respeitado que se apresentava com bandas cubanas conhecidas, incluindo a do legendário Benny More.

Nos anos 1990, porém, seu nome já tinha sido esquecido. Para complementar a parca aposentadoria que recebia do governo comunista cubano, ele engraxava sapatos.

Ferrer foi retirado da obscuridade pelo disco premiado com o Grammy "Buena Vista Social Club", de 1997, gravado por um grupo de músicos cubanos veteranos reunidos pelo guitarrista texano Ry Cooder.

Os músicos já envelhecidos foram projetados para uma inesperada segunda carreira musical e para a fama internacional, que cresceu ainda mais com o filme homônimo dirigido em 1999 pelo cineasta alemão Wim Wenders.

Dois dos principais integrantes do grupo, o cantor Compay Segundo e o pianista Ruben Gonzalez, morreram em 2003. Como eles, Ibrahim Ferrer iniciou uma carreira solo e lançou discos seus em 1999 e 2003, tendo conquistado mais um Grammy e dois Grammy Latinos, incluindo um em 2000, aos 72 anos de idade, na categoria melhor artista revelação.

Durante sua última turnê européia, na qual passou pelo Festival de Jazz de Montreux, a Grã-Bretanha, Holand, Áustria, França e Espanha, Ferrer cantou uma coletânea de boleros que ele estava gravando e pretendia lançar em 2006.


:: 8:14 PM ::

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